Então Charlie Brown, o que é amor pra você?
-Em 1987 meu pai tinha um carro azul-Mas o que isso tem a ver com amor?
-Bom, acontece que todos os dias ele dava carona pra uma moça. Ele saía do carro, abria a porta pra ela, quando ela entrava ele fechava a porta, dava a volta pelo carro e quando ele ia abrir a porta pra entrar, ela apertava a tranca. Ela ficava fazendo caretas e os dois morriam de rir… acho que isso é amor.
Amor é quando você sai para comer e oferece suas batatinhas fritas, sem esperar que a outra pessoa ofereça as batatinhas dela.
— Chrissy, 6 anos
Amor é quando seu cachorro lambe sua cara, mesmo depois que você deixa ele sozinho o dia inteiro. — Mary Ann, 4 anos
Isso me fez lembrar agora de uma coisa que aconteceu ontem — 10.02.2011.
Não é sobre o amor, mas é sobre o quanto as crianças podem nos mostrar.
Eu estava na casa da minha tia, deitada olhando um desenho com meu priminho, Matheus, de 4 anos de idade, nós estávamos conversando sobre qualquer coisa, então ele virou pra mim e disse:
— Nique, o que é ficar triste? — ele falou, erradinho, daquele jeitinho bom de criança, com a voz cheia de inocência.
(...) demorei pra dizer qualquer coisa, ele não tirou os olhos de mim nenhum segundo, como se eu pudesse responder só com a minha expressão.
— É só, sabe, sentir tristeza. — disse sem encontrar palavra alguma que definisse.
— E o que é sentir tristeza? — insistiu ele, abraçado em mim, com o mamá na mão e me olhando fixamente, com aqueles olhinhos miudos.
— Sabe Teteu, tu não precisa se preocupar com isso agora, quando tu crescer um pouquinho mais a vida vai te explicar como é, vocês ainda vão conversar muito.
— Eu e a vida dindinha?
— É amorzinho, tu e a vida. Mas me conta uma coisa, tu sabe o que é ficar feliz?
— Feliz eu sei.
— E o que é ficar feliz?
— É quando meu pai volta aqui em casa e brinca comigo e quando a mãe vem olhar
— Então Teteu, saber o que é ficar feliz é bem mais legal que saber o que é ficar triste.
— É né Muniquee *-*
— É sim amorzinho, vamos continuar olhando o filme, ta bem?
— Tá.
A gente continuou olhando o filme e ele dormiu, talvez ele não tenha aprendido nada aquele dia, eu não expliquei nada pra ele na verdade, mas ele me ensinou muita coisa naquela tarde chuvosa. Me lembrou de quando eu não sabia, nem me preocupava em saber, o que era tristeza. Eu podia dizer pra ele que tristeza é o que ele sente quando ele não ganha os brinquedos que ele quer, quando o pai dele xinga ele por brigar com o irmão dele, quando a mãe dele tem que sair pra trabalhar, mas acho que as coisas doem menos quando a gente não tenta entender, o desconhecido as vezes é um dom, uma anestesia para as coisas, e eu não queria ser responsável por tirar isso de ninguém.
Ele me fez perceber que, hoje, eu mesma não sabia explicar o que era ficar triste e fiquei feliz por não saber explicar, talvez a uns 5 meses atrás eu soubesse e isso é triste, hoje não sei mais, não me preocupo, não penso sobre a tristeza, ela se mudou daqui, finalmente.
Eu precisei de uma criança de 4 anos pra me mostrar isso.
E você, vai esperar por quem?

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