Nunca se esqueça de seus sonhos.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

She

16:40. Banho, roupa bonita, batom nos lábios, perfume, musica predileta, varanda. Descia as escadas. Lá vinha ele outra vez, 17:36, pontualmente, de segunda a sexta, andar confiante, sorriso brincando nos lábios, olhos atentos aos detalhes, brinco na orelha esquerda, cabelo propositalmente bagunçado.
Passava, sorria e continuava seu caminho, deixando o perfume leve com a brisa roçar seu rosto, dobrava no final da rua e tomava seu rumo diário, sem nunca olhar para trás, pensava ela.

He

Saia do trabalho ao final do expediente, 17:00. Banho rápido, sem uniforme, cabelo bagunçado, perfume, fim de tarde, feliz. Poderia dobrar na rua Manoel Freitas, esquina com a Padre Chagas, mas preferia dobrar uma rua depois e caminhas 04 minutos a mais, verificava o cabelo ainda molhado e posto ao vento, sorria, tudo no automático. Passava em frente a casa laranja antes da verde, 17:36 exatamente, descia as escadas, graciosa, fechava o portão e obtinha um tom rosado nas bochechas, ele achava lindo, passava na direção oposta, sem evitar sorrir, esperava alguns segundos e olhava para trás, secretamente, ela nunca, ele não entendi porque. Dobrava a esquina e seguia para casa, novamente sem respostas.

- Todos os dias, direções opostas, olhares desencontrados, corações acelerados, oi’s nunca dados, perguntas e respostas em silêncio. Todos os dias, 17:36.

Continue...

E quando não houver mais a vontade de seguir em frente, que ainda vejamos as estradas, que elas ainda estejam lá, que existam, misericordiosamente. E quando não houver mais estradas, que possamos seguir por mares, mais inconstantes, tortuosos, profundos, intensos e confusos, mas que ainda estejam lá. E quando não houver mais forças para velejar, ah quando não houver mais forças, céus que haja um porto!

Não venho pedir-Lhe facilidade Deus, sabes que não, que vou a luta, que encaro sem medo, ando por todos os caminhos, tropeço, caio, levanto-me, sigo em frente e nado, remo, velejo, afogo-me, deixo-me arrastar com as marés, por ondas de um mar violento e continuo a velejar, mas peço-Lhe, por todo amor que trago no peito, Vês que não é pouco, que haja, por toda extensão deste mundo apenas uma alma que como a minha já tenha sido jogada ao chão e corajosamente tenha reerguido-se, que essa alma me tire do meio deste temporal violento que agita as ondas, que agita a vida. Senhor que haja um porto, seguro de preferência, uma parada, um descanso, uma trégua, nem que seja apenas para revigorar as forças para uma nova jornada.

Que haja sempre e que no vazio eu nunca me encontre;
Só, silenciosa, sem tempestade nem calmaria.

Monique Ribas