Um dia vi um garoto envergonhado vindo na minha direção, a face ruborizada de timidez, trazendo uma rosa na mão, uma rosa que não era destinada a mim, e nos olhos um brilho tão intenso e sincero que, desde esse dia, meu maior e mais profundo desejo é que, algum dia, alguém olhe pra mim com tal intensidade e amor, secretamente desejei também que tal olhar partisse dos mesmos olhos. Se pedi demais, não sei, mas como poderia eu lutar contra tal vontade que vem de uma parte de mim, parte de minha alma, que de tão desconhecida, não permitiu antes nem a mim saber de sua existência? Hoje só sei que ainda espero enquanto essa minha parte de alma descansa serena, em um quase adormecer, aguardando pelo único olhar que teve o dom de desperta-la. Eu a deixo quieta, se é para ver falsos olhares, os que tenho visto, melhor que continue adormecida. Se por acaso chegar o dia em que encontrarei novamente tais janelas para a aquela alma, ela acordara sozinha, ai então talvez finde essa tal sensação que a muito me acompanha, a sensação de que algo me foi tirado. Não algo que nasça conosco, mas algo que chegamos a ver, quase tocar, quase tivemos e então perdeu-se. Se sente um vazio enorme, somente de refletir sobre tal olhar, lembra-lo doí como uma lamina afiada a nos cortar a pele, neste caso como mexer em uma ferida há muito aberta. Como se pode sentir falta de algo que de fato nunca se teve? De qualquer forma, parece que presenciar foi o suficiente, nem quero imaginar o quanto doeria hoje se houvesse sido algo além do QUASE, se tivesse sido de fato meu e eu tivesse deixado que se perdesse. Enquanto isso são apenas pilhas e pilhas de quase's deixo aquela parte de mim dormir tranquila, sonhando em ter um dia aquela sensação que já sinto tão minha, e meu coração insiste em bater descompassado a mera menção do nome que atribui a tal olhar.
Monique Ribas

(09/06/10 - 01:12 am)
De boa, esse ai é um dos dois textos que mais gostei do teu blog.
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